quarta-feira, 29 de abril de 2009



Deus E Eu No Sertão
Victor e Leo

Nunca vi ninguém
Viver tão feliz
Como eu no sertão

Perto de uma mata
E de um ribeirão
Deus e eu no sertão

Casa simplesinha
Rede pra dormir
De noite um show no céu
Deito pra assistir

Deus e eu no sertão

Das horas não sei
Mas vejo o clarão
Lá vou eu cuidar do chão

Trabalho cantando
A terra é a inspiração
Deus e eu no sertão

Não há solidão
Tem festa lá na vila
Depois da missa vou
Ver minha menina

De volta pra casa
Queima a lenha no fogão
E junto ao som da mata
Vou eu e um violão

Deus e eu no sertão


segunda-feira, 6 de abril de 2009


Tão sutilmente em tantos breves anos
foram se trocando sobre os muros
mais que desigualdades, semelhanças,
que aos poucos dois são um, sem que no entanto
deixem de ser plurais:
talvez as asas de um só anjo, inseparáveis.
Presenças, solidões que vão tecendo a vida,
o filho que se faz, uma árvore plantada,
o tempo gotejando do telhado.
Beleza perseguida a cada hora, para que não baixe
o pó de um cotidiano desencanto.


Tão fielmente adaptam-se as almas destes corpos
que uma em outra pode se trocar,
sem que alguém de fora o percebesse nunca.

segunda-feira, 30 de março de 2009

VIAGENS


Quando não ter vejo

meu navio parte

para a terra chamada tristeza...

Mas lá nunca ancoro...

fico ali no cais

contemplando à distância

os mistérios

que o vento do norte me trazem...

Não há dor

apenas silêncio...

Então retorno

para minha espera

nos campos inexplorados

da realidade diária...

Tenho em mãos

apenas sonhos

e um doce desejo de lhe mostrar

as pérolas que trago na bagagem...

colecionadas em navegações que faço

nos mares de minha vida...

terça-feira, 24 de março de 2009


Sinto falta


do que você provoca em mim


arrepio na pele...


aquele silêncio ecoando


como o som que escutamos


quando colocamos rente ao ouvido


uma concha do mar...


Chego a pensar


em coisas impensáveis...


Sinto a dor


transformar-se em um sorriso


e a isso chamo felicidade...


Enquanto espero seus passos


sinto a tempestade


dos meus olhos


encontrando os seus...


E são tantas as coisas


que gostaria de dizer...


Mas vêm o abismo das incertezas


e como estrela cadente


perco o momento de vista


Já não posso mais...


Pena,


recolho então minhas asas


e mais uma vez


fecho meus olhos...


Esperando o nascer de um novo dia


para mais uma vez


poder tentar voar...