quarta-feira, 18 de março de 2009

quarta-feira, 4 de março de 2009

Mergulho nesta lama
E corro todos os riscos
Você me avisou meu bem...
Mas eu gostaria que agora as coisas
Fossem do jeito que eu quero
Só hoje...
Eu vou sair por ai sorrindo
Daquelas coisas que não recuperarei jamais
Perdidas naquele planeta desconhecido...
E a semente da minha esperança
Caiu entre as pedras
E certamente não germinará
Não vou chorar agora
Vou me poupar para estiagem
Que vem a cavalo
Anunciando que não há redenção

segunda-feira, 2 de março de 2009


"Chiclete", não, obrigada!
Bere Adams


Para mudar
É preciso começar
Por excluir
Hábitos mecânicos
Desnecessários
Como mascar um "chiclete"
Que pode acabar
No bico gracioso
Fazendo calar
Um pequeno pardal
Que voa para a goma
Largada no chão
Completamente iludido
Que aquilo seja uma flor
Uma fruta, ou seja lá o que for
Vejam só, vejam bem
Enganado pelo aroma
Que se fingia natural
Um doce de sabor
Para ele fatal
Que não só acaba com o canto
Mas também com o encanto
Da vida alada do pássaro
Que é atraído e traído
Pela inútil invenção
Que faz com adultos e crianças
Um coral de ruminantes
Mastigando, mastigando
E mastigando até que
Numa tosca cuspida
O "chiclete" já sem gosto
Sem cor
Mas com cheiro ainda
Confundível com fruta
Ou com flor
seja lá o que for
Chama com seu cheiro
O pequeno passarinho
(E agora me pergunto
Entre estes parênteses
Quantos dos meus "chicletes"
Não foram parar em ninhos?
Mesmo depois de "corretamente"
Tê-los jogado no lixo
Onde foram parar?)
Outro dia pude ver
Mas sem entender
Um pequeno pardal
A pular desengonçado
Pois na sua cauda
Havia algo grudado
Parecia carrapato
Se é que poderia ser mas
Agora sei que bem poderia
Ter sido aquilo um chiclete
Pelo menos não ficou
Grudado no seu bico
E aquele pequeno pássaro
Salvou-se sem mesmo saber
Do perigo de morrer que corria
Por causa de uma goma de mascar
Morta e sem sabor
Disfarçada de fruta ou de flor.